terça-feira, 12 de março de 2013

O aconchego na Pedra do Jacaré em Ouro Preto



A sensação era de pedir uma trégua, afinal tanta informação chegando através de uma verdadeira explosão artística e cultural, em meio às vibrações da história de escravidão e liberdade da cidade de Ouro Preto, nos deixavam zonzos. Conversando com guias turísticos descobrimos quem nos guiaria nas trilhas da região: Indiana Jones. O apelido surgiu por causa da semelhança do seu chapéu com o usado pelo personagem principal do filme Indiana Jones. O passeio ecológico começou às 11horas. Um ônibus coletivo nos conduziu até o ponto final no alto da cidade. Logo que desembarcamos, comecei uma conversa com dois garotos que brincavam de bola. Eles decidiram nos acompanhar nessa caminhada.  Após quatro quilômetros de descida pelo Parque das Andorinhas, entre montanhas e pássaros, chegamos à Cachoeira das Andorinhas. A 1.300 metros de altitude, a cachoeira fica no interior de uma formação rochosa semelhante a uma gruta e, é assim chamada por abrigar grande quantidade de andorinhões-de-coleira (andorinhas) no verão. Os garotos, que conheciam bem o local, foram na frente se aventurando na descida até chegar à queda. Mergulhamos naquelas águas geladas. Energias renovadas! Partimos para escalada até a Pedra do Jacaré. Rodeados da natureza, com uma vista deslumbrante, ouvimos as incríveis histórias de Indiana Jones. Ficamos ali até o entardecer, assentados bem na ponta do nariz da pedra do Jacaré. Os pássaros começavam a chegar de todos os lados para encontrarem abrigo nas grutas da cachoeira.  

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Tiradentes foi a inspiração para Ouro Preto



Tiradentes foi uma aventura. Desembarcamos da maria fumaça e caminhamos ao encontro do primeiro desafio. Havia chovido muito nos últimos dias e a ponte que precisávamos atravessar para entrar na cidade tinha sido levada pela enchente. Não tinha outra entrada, nem para os veículos. A única escolha era embarcar no bote do exército brasileiro amarrado nas duas extremidades do rio por um cabo de aço. Embarcamos! Mesmo com a correnteza forte, a travessia foi segura. Segunda aventura: atravessar uma pinguela improvisada sobre um córrego. Foi ainda mais fácil, afinal no tempo de criança, na fazenda do meu avô, esta era uma das minhas brincadeiras prediletas. Foi um dia aconchegante em Tiradentes, em sintonia com tudo que a cultura mineira pode oferecer. E naquela cidade charmosa, que dá nome a um importante homem que morreu pela liberdade, programamos nossa nova aventura.

Próxima parada, Ouro Preto, berço da arquitetura barroca, da revolta dos inconfidentes e da poesia dos árcades. Foi durante o Festival de Inverno, quando a arte esquenta a cidade. Descendo as ladeiras rumo ao centro, vimos a antiga Vila Rica vestida de adereços com as apresentações públicas de teatro, dança, fotografia, pintura, escultura, literatura, música. Respirávamos arte. A cada passo uma novidade. Ouro Preto era um universo artístico inusitado, mágico.

 Além das novidades culturais que nos deparávamos, a própria cidade fornecia um estado de inspiração através da sua arquitetura, rica em ouro e detalhes. Enquanto caminhávamos na antiga metrópole de calçamentos e ruas de pedras, á luz de lampiões, avistávamos as 13 igrejas barrocas nos topos das colinas. A 1.179 metros do nível do mar, naquele mês de julho, as temperaturas eram baixas e de manhã a cidade ficada encoberta pela névoa branca.

Foram três dias de encantamento até sentir que era hora de renovar as energias. Fomos em busca da natureza.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

A Maria Fumaça está partindo para Tiradentes


Logo que desembarcamos senti a agitação do Carnaval em São João Del Rei. Um rapaz que passava com uma prancha de surf me intrigou, afinal estávamos bem longe do litoral. Percebi que era apenas mais um dos integrantes do “Vamos a la Playa”, bloco que arrasta multidões nas avenidas às margens do córrego do Lenheiro. Explicado! Córrego, cachoeira, represa, lagoa, rio... Para mineiro tudo vira praia! E foi em meio à energia desse povo criativo, festeiro e hospitaleiro que fomos recebidas. Deixamos nossas mochilas na república de estudantes, onde moravam amigos, e fomos conhecer a terra do herói Tiradentes, do presidente Tancredo Neves e da primeira poeta mulher do Brasil, Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira. Lindas e enormes palmeiras imperiais centenárias, em meio à arquitetura colonial, traduziam toda a atmosfera da Inconfidência Mineira. Como dizem: “São João Del Rei tem sonhos de liberdade”. Passo a passo, nos deparamos com a Estação Ferroviária. Bem na entrada, um senhor baixinho e sorridente, de boina e uniforme épico, nos recebeu com um delicioso bom dia! Ele nos informou: “A Maria Fumaça já está partindo e tem apenas dois lugares no último vagão. Se quiserem embarcar, tiro a passagem de vocês no trem mesmo, pois não há mais tempo”. Aquela informação ´caiu como uma luva`. Embarcamos com destino à Tiradentes, uma cidadezinha conhecida pela cultura, gastronomia e aconchego. Foi uma viagem saborosa, fantástica e cheia de aventuras...

sábado, 28 de julho de 2012

O amigo Zé Feliz de São Tomé






Durante todas aquelas descobertas maravilhosas, um caminho cheio de surpresas e novas emoções, algo nos surpreendeu. Já estávamos no terceiro dia e um cão, que denominamos Zé Feliz, continuava nos acompanhando. Ele apareceu logo após a conversa com o “maluco do amor”, quando passávamos perto da igrejinha a caminho da pousada localizada no local mais alto da cidade das pedras, próxima a pedra da bruxa – lugar que atrai visitantes pela beleza da vista e pelo formato de uma bruxa. Desde então, aquele cão com afeição serena não nos deixou só. Ele aparecia todas as manhãs, para nos acompanhar pelas trilhas de São Tomé das Letras. Zé Feliz não tinha cerimônias: brincava com as borboletas do vale, tomava banho de cachoeira, corria atrás dos pássaros, rolava na terra seca e, muitas vezes, ia à frente mostrando o caminho. No quarto dia, dia da partida, acordamos de madrugada para pegar um ônibus que nos levaria a São João Del Rei. A cidade das pedras tinha ganhado uma nova cara. Muitos jovens já haviam chegado, pois era véspera de Carnaval. Na praça, onde o ônibus estava estacionado, ainda deu tempo de curtir um grupo fazendo um som e bebendo vinho para aquecer do frio. Chão de Giz, do mestre Zé Ramalho, foi a canção da despedida. Começava a amanhecer. Quando pegávamos nossas mochilas para partir, tivemos a grata surpresa. Como uma saudação de amizade, Zé Feliz apareceu pela ultima vez. Foi um adeus de sorrir!

Vamos unir os olhares, os gestos, os anseios, as carências, dividir as alegrias, a solidão. A amizade, não tem preço!

terça-feira, 17 de julho de 2012

O maluco e sua beleza em São Tomé das Letras


_ Amem!

Foi com esta palavra que ele se aproximou. Estávamos sentadas no chão de pedras, comendo pães recheados com queijo Minas, após um lindo dia de trilhas e banhos de cachoeira. O homem de pés descalços entrou na pequena mercearia, pediu um copo com água, voltou-se para fora, sentou-se do nosso lado. Olhou profundamente para nós e disse:

_Amar é o que importa.

Como se nos conhecesse, ele continuou a falar:

_Durante a última revolução do meu coração descobri o amor. Venho de terra distante. Chego até aqui com uma compreensão. Amar nos faz existir como pessoas.

Interessante ouvir aquele homem falar de amor em um momento da vida que buscávamos respostas para algumas questões do coração. Era tempo de permitir conhecer mundos novos, pessoas diferentes, histórias de vida. Aprender com todas as surpresas do caminho.

Ele se levantou e vagarosamente foi saindo, deixando novas palavras.

_ O amor verdadeiro não exige nada. A amorosidade é uma forma de libertação. Amar para libertar. Virtudes essenciais para quem quer descobrir o grande presente que é a vida. A vida é curta, por isso, ame-a!

E o sol foi se pondo entre as montanhas. Terminamos aquele primeiro dia na cidade das pedras com a certeza de que algo novo aconteceu. O homem se foi, mas ficou o grande desafio daquela lição: viver o mundo acolhedor que nasce primeiro dentro de cada um de nós e promover a mudança para, simplesmente, existir.