sábado, 28 de julho de 2012

O amigo Zé Feliz de São Tomé






Durante todas aquelas descobertas maravilhosas, um caminho cheio de surpresas e novas emoções, algo nos surpreendeu. Já estávamos no terceiro dia e um cão, que denominamos Zé Feliz, continuava nos acompanhando. Ele apareceu logo após a conversa com o “maluco do amor”, quando passávamos perto da igrejinha a caminho da pousada localizada no local mais alto da cidade das pedras, próxima a pedra da bruxa – lugar que atrai visitantes pela beleza da vista e pelo formato de uma bruxa. Desde então, aquele cão com afeição serena não nos deixou só. Ele aparecia todas as manhãs, para nos acompanhar pelas trilhas de São Tomé das Letras. Zé Feliz não tinha cerimônias: brincava com as borboletas do vale, tomava banho de cachoeira, corria atrás dos pássaros, rolava na terra seca e, muitas vezes, ia à frente mostrando o caminho. No quarto dia, dia da partida, acordamos de madrugada para pegar um ônibus que nos levaria a São João Del Rei. A cidade das pedras tinha ganhado uma nova cara. Muitos jovens já haviam chegado, pois era véspera de Carnaval. Na praça, onde o ônibus estava estacionado, ainda deu tempo de curtir um grupo fazendo um som e bebendo vinho para aquecer do frio. Chão de Giz, do mestre Zé Ramalho, foi a canção da despedida. Começava a amanhecer. Quando pegávamos nossas mochilas para partir, tivemos a grata surpresa. Como uma saudação de amizade, Zé Feliz apareceu pela ultima vez. Foi um adeus de sorrir!

Vamos unir os olhares, os gestos, os anseios, as carências, dividir as alegrias, a solidão. A amizade, não tem preço!

terça-feira, 17 de julho de 2012

O maluco e sua beleza em São Tomé das Letras


_ Amem!

Foi com esta palavra que ele se aproximou. Estávamos sentadas no chão de pedras, comendo pães recheados com queijo Minas, após um lindo dia de trilhas e banhos de cachoeira. O homem de pés descalços entrou na pequena mercearia, pediu um copo com água, voltou-se para fora, sentou-se do nosso lado. Olhou profundamente para nós e disse:

_Amar é o que importa.

Como se nos conhecesse, ele continuou a falar:

_Durante a última revolução do meu coração descobri o amor. Venho de terra distante. Chego até aqui com uma compreensão. Amar nos faz existir como pessoas.

Interessante ouvir aquele homem falar de amor em um momento da vida que buscávamos respostas para algumas questões do coração. Era tempo de permitir conhecer mundos novos, pessoas diferentes, histórias de vida. Aprender com todas as surpresas do caminho.

Ele se levantou e vagarosamente foi saindo, deixando novas palavras.

_ O amor verdadeiro não exige nada. A amorosidade é uma forma de libertação. Amar para libertar. Virtudes essenciais para quem quer descobrir o grande presente que é a vida. A vida é curta, por isso, ame-a!

E o sol foi se pondo entre as montanhas. Terminamos aquele primeiro dia na cidade das pedras com a certeza de que algo novo aconteceu. O homem se foi, mas ficou o grande desafio daquela lição: viver o mundo acolhedor que nasce primeiro dentro de cada um de nós e promover a mudança para, simplesmente, existir.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Montanhas mágicas de São Tomé das Letras



Começamos bem e livres para fazer nossas escolhas! Mochila nas costas, pés na estrada. Pegamos ônibus, carona. Caminhamos por estradas de terra, trilhas em meio à mata e nos trilhos dos trens de Minas Gerais. O destino: uma cidadezinha construída com pedras brancas na montanha mais alta dos vales do sul. Fundada pelos ripes, místicos e esotéricos, há quem diz conhecer a floresta dos duendes e já ter visto óvnis por lá. Nós não tivemos estas surpresas. Porém, fomos surpreendidas com o extraordinário som do vento. Mais parecia canto de sereia dos filmes de criança. Foi como descobrir um mundo novo com diferentes e suaves notas musicais. Assim iniciamos nossa busca para descobertas incríveis em São Tomé das Letras. Cachoeiras, borboletas, bosques, um imenso vale de montanhas, céu deslumbrante dia e noite. Horizonte infinito de 360 graus. Só não esperávamos que toda a magia daquele lugar se concretizasse na conversa com um “maluco”. De cabelos longos, encaracolados e embaraçados, ele perambulava com os pés descalços nas estreitas ruas daquela cidadezinha. Impossível não notar aquele homem. E foi ele que nos revelou a grande lição daquela viagem.

O presente no fim do túnel



Era um dia daqueles em que eu passava o tempo todo sem ver o céu. Nunca imaginaria que no local considerado, pelos espiritualistas, o mais “carregado” do Brasil, eu a conheceria. O Congresso Nacional tem restaurantes, farmácia, lanchonetes, até salão de beleza, ou seja, quase tudo que se torna necessário para passar o dia sem precisar sair do ambiente de trabalho. Toda esta praticidade faz com que muitos dias acabem sem cor. E foi num desses dias sem céu que ela apareceu como uma grande surpresa. Eu passava pelo túnel da Câmara dos Deputados, a caminho do Salão Verde. A exposição dos Mantos do Círio de Nossa Senhora de Nazaré atraia minha atenção. Uma benção! De repente, quando retomei o meu percurso, um ser de luz sorriu para mim. Doce, pura e verdadeira, passou como um raio de luz. Mais tarde, nossos caminhos se cruzaram novamente. Fui descobrindo o encanto de um ser sensacional. Quando percebi já estávamos a caminho da primeira das infinitas viagens pelas vielas da vida.